NOSSA ORIGEM

Criado em 2009, o Grupo dos Dez consolidou-se como referência nacional ao investigar a interseção entre o teatro negro e o teatro musical tipicamente brasileiro, forjado na riqueza das tradições populares do Brasil. Ao longo de sua trajetória, a companhia lançou luz sobre temáticas urgentes: a homoafetividade, os desafios enfrentados pela população negra brasileira, a luta das mulheres e o enfrentamento a todas as formas de opressão LGBTQIAPN+. Suas obras ecoam memórias coletivas, cantos ancestrais e narrativas historicamente silenciadas.

Nascido do ímpeto criativo de sete artistas determinados a pesquisar uma linguagem musical que tivesse como matriz a cultura brasileira e as culturas africanas e indígenas, o grupo encontrou na orientação do dramaturgo João das Neves e da cantora Titane o acolhimento e o rigor necessários para lapidar um modo próprio de estar em cena, marcado pelo sotaque, pela corporeidade e pela sensibilidade mineira. Ainda em 2009, subiu pela primeira vez ao palco no 1º Festival de Musicais de Belo Horizonte, apresentando Sagas no País das Gerais, dirigido pelos dois mestres que acompanharam o nascimento da companhia.

Em seus 15 anos de existência, o Grupo dos Dez estreou também Evangelho Bárbaro (Elisa Santana e Marcelo Onofre), Madame Satã (João das Neves e Rodrigo Jerônimo) e Dandara para Todas as Mulheres (Bia Nogueira). Somam-se a isso as colaborações nas montagens de Rueiros (Rodrigo Jerônimo e Bia Nogueira) e Todos os Animais São Iguais (Rodrigo Jerônimo). Madame Satã certamente está entre seus marcos: premiado e reconhecido pelo público, o espetáculo percorreu festivais em Minas Gerais e chegou a capitais como São Paulo, Brasília, Curitiba e Vitória, circulando com o apoio do edital da Caixa Cultural. É o único dos mais de 40 espetáculos que João das Neves dirigiu que ainda está em cartaz.

A companhia e seus integrantes também são responsáveis por iniciativas que fortalecem a cultura afroindígena brasileira, como o Aquilombô – Fórum Permanente de Artes Negras (2018 ao presente), o Festival Imune (2016 ao presente) e o Laboratório Editorial Aquilombô (2017 ao presente). Com essas ações, o grupo consolida-se como um importante ponto de promoção da empregabilidade negra LGBTQIAPN+ no teatro, na literatura e na música, abrindo caminhos para novas vozes e para obras que, muitas vezes, não encontram espaço no setor cultural tradicional.

Assim, ao mesmo tempo em que cria espetáculos, o Grupo dos Dez também semeia territórios de memória, formação e futuro. E tece, com técnica e poesia, um legado que celebra a ancestralidade, impulsiona novas narrativas e reafirma a potência transformadora do teatro negro brasileiro.